A névoa mental, também chamada de “brain fog”, é um dos sintomas menos falados da menopausa — mas que impacta significativamente a qualidade de vida de muitas mulheres.
Esse fenômeno se caracteriza por dificuldades de memória, lapsos de concentração, lentidão no raciocínio e sensação de confusão mental. Muitas mulheres relatam esquecer palavras, perder o fio de uma conversa ou sentir dificuldade para realizar várias tarefas ao mesmo tempo.
Um sintoma que pode gerar confusão
No início de sua carreira, a neurologista Gayatri Devi, do Hospital Lenox Hill em Nova York, relatou um caso marcante: uma paciente na menopausa foi inicialmente diagnosticada com Alzheimer devido a sintomas de perda de memória e desorientação.
Após o tratamento com estrogênio, houve melhora significativa do quadro. Esse caso ajudou a evidenciar que, em algumas situações, os sintomas cognitivos não estavam relacionados a doenças neurodegenerativas, mas sim às alterações hormonais da menopausa.
Como a névoa mental se manifesta
Mulheres entre 40 e 65 anos — faixa etária em que ocorre a menopausa, com média entre 48 e 51 anos no Brasil — frequentemente relatam:
- Dificuldade para lembrar palavras;
- Troca de termos durante a fala;
- Esquecimento de tarefas simples do dia a dia;
- Dificuldade de concentração;
- Sensação de “mente lenta” ou confusa.
Esses sinais podem ser sutis no início, mas acabam gerando frustração e impacto na rotina pessoal e profissional.
O papel do estrogênio no cérebro
O estrogênio desempenha um papel importante na saúde cerebral. Ele contribui para a proteção dos neurônios e estimula a plasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de criar novas conexões.
Além disso, influencia neurotransmissores como a serotonina e a acetilcolina, que estão diretamente relacionados à memória, humor e concentração.
Durante a menopausa, a queda nos níveis de estrogênio pode afetar essas funções, contribuindo para o surgimento da névoa mental. No entanto, a intensidade dos sintomas varia de mulher para mulher, já que cada organismo responde de forma diferente às mudanças hormonais.
Sono, ondas de calor e impacto na memória
Não é apenas a queda hormonal que interfere na cognição. Os distúrbios do sono, muito comuns na menopausa, também têm grande impacto.
Até 60% das mulheres relatam dificuldades para dormir nessa fase, muitas vezes devido aos fogachos (ondas de calor noturnas). A privação de sono afeta diretamente a memória, a atenção e o raciocínio.
Estudos recentes também indicam que os fogachos frequentes podem estar associados a alterações na conectividade cerebral e até a um aumento do risco cardiovascular.
Além disso, sintomas como ansiedade, irritabilidade e depressão podem intensificar ainda mais a sensação de confusão mental.
Um tema ainda pouco falado
Apesar de afetar muitas mulheres, a névoa mental ainda é pouco discutida. Isso acontece, em parte, porque seus sintomas surgem de forma gradual e podem ser confundidos com estresse, cansaço ou outras condições do dia a dia.
Enquanto sintomas como irregularidade menstrual e ondas de calor são mais conhecidos, as alterações cognitivas ainda são cercadas de dúvidas e tabus.
A importância do cuidado e acompanhamento
Reconhecer esses sinais é fundamental para buscar o cuidado adequado (Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa) . A menopausa é uma fase natural da vida, mas seus sintomas podem ser amenizados com acompanhamento médico e uma abordagem multidisciplinar.
Estratégias como acompanhamento hormonal, alimentação equilibrada, atividade física, qualidade do sono e terapias complementares podem ajudar a reduzir os impactos da névoa mental.
Conclusão
A névoa mental na menopausa não deve ser ignorada. Apesar de ser um sintoma comum, ela pode afetar significativamente a autoestima, a confiança e a qualidade de vida da mulher.
Buscar informação e apoio profissional é um passo importante para atravessar essa fase com mais equilíbrio e bem-estar.
Com carinho da Nutri!💜
